Que Alagoas tem pressa?

Retirei esse texto da página oficial da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico. Após breve leitura posso afirmar que esse programa é uma lástima por diversas razões. Francamente, nunca vi uma proposta tão esdrúxula e descarada como essa apresentada à sociedade alagoana. A inércia e a falta de um projeto social, político e econômico ficam tão evidentes neste texto que chega a ser engraçado, não fosse trágico para Alagoas.

Em tempo, vale frisar que as partes com fonte preta são trechos de um texto da página oficial da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (retiradas no dia 18/05/2011), enquanto que o texto com fonte vermelha são observações desse blogueiro.

Governador apresenta Programa Alagoas Tem Pressa

O Programa Alagoas Tem Pressa, coordenado pela Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande), foi lançado nesta terça-feira (17) pelo governador Teotonio Vilela Filho com a participação de todo o secretariado estadual. O programa vai definir estratégias de médio e longo prazo, com base no cumprimento de metas junto às setoriais, para promover o desenvolvimento e melhorar os indicadores sociais de Alagoas.

Sinceramente, lançar um programa com o nome Alagoas tem pressa para ainda correr atrás de quais estratégias serão definidas a médio e longo prazo é um contra-senso absurdo. Principalmente considerando que o atual governo vivencia seu segundo mandato. Se a idéia é definir estratégias com pressa para Alagoas, mas apontando para um programa do futuro, porém, sem diagnosticar o presente, a meu ver, representa uma falha bastante significativa.

Por meio do Alagoas Tem Pressa, o governo irá sistematizar o planejamento estratégico do Estado, que visa atender seis áreas de resultados fixadas a partir da identificação dos principais problemas enfrentados. Todas as setoriais irão trabalhar com projetos e serão cobradas para a execução dos mesmos.

Ou seja, o governo não tem um projeto para Alagoas e informa isso publicamente diante de todo seu secretariado reunido. Tanto que o governo visa fixar metas a partir da identificação dos principais problemas do Estado. Depois de um mandato inteiro, o governo não sabe exatamente quais são os principais problemas, tampouco apresenta um caminho para solucioná-lo. O “foco” apresentado é totalmente superficial e completamente falacioso. Tudo está posto para o futuro, pois em diversos momentos avisam que IRÃO trabalhar que SERÃO cobrados! E definem 6 temas, áreas a serem estudadas.

“O Alagoas Tem Pressa representa um divisor de águas na gestão deste Governo. Nós já fixamos as metas e agora iremos discutir os projetos e monitorá-los, com a coordenação da Seplande, para que possamos alcançar bons resultados”, afirma o governador.

Afirmam terem fixado metas, mas não apresentam nenhuma dessas metas em especial, apenas temáticas a serem debatidas. Secretário afirma ser esse o momento crucial do governo de Alagoas, representando um divisor de águas. Afinal, o que significa exatamente essa divisão? A mudança de uma ausência plena de projetos para ação prática objetiva ou o reconhecimento da total falta de comprometimento do gestor com o futuro de Alagoas? O texto enfoca ainda um processo de desenvolvimento e discussão, muito mais para fins de diagnóstico do que para uma ação efetiva, concreta e imediata.

Para o secretário de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico, Luiz Otavio Gomes, é necessário que o Governo atue de forma integrada para que o programa obtenha êxito. “As setoriais devem estar alinhadas com as estratégias do Governo, para que possamos rumar no mesmo sentido e alcançar o nosso objetivo: desenvolver o estado, erradicar a pobreza extrema e diminuir a pobreza”, complementa.

Aqui fica demonstrada claramente a total dispersão, desintegração das pastas e a ausência de uma leitura comum do governo e seus secretários. O secretário frisa abertamente, tem de existir integração entre o governo e as pastas, do contrário, não obterão êxito.

O Alagoas Tem Pressa, desenvolvido com o suporte técnico da empresa de consultoria macroplan – especializada em gestão para resultados – define o foco de atuação do governo, os resultados esperados, e estabelece metas para os horizontes de 2014 e 2022, que podem ser alteradas caso seja necessário.

Inacreditavelmente o governo contrata uma empresa de consultoria pra definir qual será o seu foco da ação, apontando para 2014 e 2022. A ausência e a falência do Estado são tão evidentes que é preciso contratar uma empresa para ensinar o que devem fazer as inúmeras secretarias de Alagoas. A UFAL, a UNEAL e a FAPEAL, caso fossem provocadas poderiam realizar o trabalho da Macroplan? Governo entrega nas mãos da Macroplan 1) a definição do foco; 2) quais resultados devem ser esperados e 3) quais as metas num horizonte pra lá de 2014.

As estratégias do Governo irão compor uma Carteira de Projetos Estruturantes, que estará contida no Plano Plurianual (PPA) 2012-2015, e vai priorizar as ações em seis áreas de resultados: melhoria da qualidade de vida; desenvolvimento do capital humano; erradicação da pobreza extrema, redução da pobreza e da desigualdade; crescimento, descontração e diversificação econômica; inovação na gestão pública; e valorização da imagem e mudança cultural.

Novamente, a estratégia do governo é criar uma estratégia de projetos estruturantes. Sei!

Para alcançar os resultados nas áreas estabelecidas, existem mais de 20 projetos estruturantes, que estão sendo construídos em conjunto com as secretarias e se desdobram em várias ações e projetos. “Na área de melhoria da qualidade de vida, por exemplo, um dos projetos estruturantes é o combate à mortalidade infantil. cabe às secretarias competentes analisar como se pode atingir essa finalidade a partir da implementação de um ou mais projetos”, exemplifica o diretor da Macroplan, Gustavo Morelli.

Existem mais de 20 projetos estruturantes, que estão sendo construídos?! Ou os projetos existem ou estão sendo construídos. Logo, para que se desdobrem em ações é necessário que existam projetos! Se existem, gostaria de saber como ter acesso a cada um deles ou, ao menos, acesso aos resumos e/ou objetivos gerais de cada um desses supostos projetos. Saber em que pé se encontra cada um deles e tentar compreender como é possível anunciar um plano de ações afirmando que Alagoas tem pressa, no entanto, sem existir nada pronto. Não existem projetos, não existem metas, não existe foco, não há finalidade, não existe governo. Entretanto, mais debochada ainda, afirma a empresa de consultoria Macroplan que volta a bola para o governo: “cabe às secretarias competentes analisar como se pode atingir essa finalidade a partir da implementação de um ou mais projetos”.

Cronograma de ações – Na próxima segunda-feira (23), o governador Teotonio Vilela Filho e todo o secretariado se reunirão novamente em uma oficina com o objetivo de discutir os projetos estruturantes do Alagoas Tem Pressa.

A pressa é tanta que os secretários e o governador ainda farão uma oficina para discutir os projetos estruturantes. Quais? Não existem! São mais de 20 projetos que serão criados ainda. Claro, tudo porque Alagoas tem pressa.

Em cada setorial existirá um gerente de projetos, que deve ser definido até 25 de maio. Os líderes escolhidos serão capacitados pela Macroplan no início de junho e os projetos serão estruturados pelas secretarias com o apoio da Seplande e da Macroplan até 15 de julho. A análise da viabilidade financeira para a execução dos projetos será realizada pela seplande, pela secretaria de estado da fazenda (sefaz) e pela Macroplan até 30 de julho.

A melhor parte e a mais cômica de todas. Assim como colegiais os secretários formaram grupos e definirão o gerente de projetos (líderes) que serão capacitados pela Macroplan, apenas no final de maio. Não entendi qual o motivo de não terem sido designados esses tais líderes já na apresentação do Alagoas tem pressa. Não estão com pressa? E ainda, depois, todos serão capacitados em junho para enfim serem “estruturados” os projetos até 15 de julho, quando então será feita uma análise financeira da viabilidade de execução até o final de julho. Logo, ação mesmo só a partir de agosto, caso o projeto seja criado, aprovado e seus líderes consigam colocá-los em prática. Tenho dúvidas! Creio que o governo desistiu de 2011, a pressa é toda para 2012, será?!

“A equipe da Seplande estará à disposição para qualquer dúvida, mas é necessário que cada secretário se debruce sobre esse programa e observe de que forma pode colaborar. Além de definir um líder, que deve ser comprometido e ter um perfil específico, dois técnicos devem estar engajados na elaboração do PPA”, destaca o secretário Luiz Otavio.

Aqui, mais um puxão de orelhas deles para eles mesmos. Apesar da contratação da empresa de consultoria os trabalhos devem ser desenvolvidos pelos secretários debruçados sobre esse programa imaginando como poderão contribuir.

Obs:. Portal da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico: www.seplande.al.gov.br

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6 Comentários

Arquivado em Política

6 Respostas para “Que Alagoas tem pressa?

  1. Era bom o governo explicar o repasse sem licitação de 5,27 milhões para a Macroplan

  2. Pingback: Links Alagoanos #9 | Blog do Marques

  3. Que esperar do PSDB??? Muita propaganda,pouquíssima prática!!

  4. Cluac

    Olá Fleming, boa tarde!
    Inicialmente posso te dizer que conheço o projeto e entendo todo o texto divulgado pela SEPLANDE.
    Não estou aqui para defender o governo do Estado de Alagoas, mas para mostrar que não basta criticar e sim primeiramente conhecer!
    Caso se interesse, faço o convite para entrar em contato!
    Att, cluac.

    • Fleming

      Estou bastante interessado. No post, fica claro que – no mímino – a assessoria de comunicação emitiu uma nota infeliz sobre o projeto Alagoas tem pressa. Estou sempre aberto ao diálogo, quero muito acreditar que tudo que é feito trará melhorias para Alagoas. Não sou daqueles que desejam sempre o pior.
      Abraços,
      Aguardo retorno,
      Fleming!

  5. Esse Clauc pensa que o povo é besta, não é o cidadão que tem a obrigação de buscar detalhes e sim o governo de dar transparência de todos seus atos, mas já que você senhor Cauc está por dentro da maracutaia então me responda qual o critério de escolha para o repasse sem licitação de 5,27 milhões para a Macroplan ?

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